terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Capítulo 36
Ariane ajudou Tize durante todo o dia juntamente com Ritinha.
Às dezoito horas, as meninas foram se embelezar e vestir-se para a noite. Tize foi deixar Ariane em casa de carro e voltou à mansão para então tomar um revigorante banho e se arrumar.
Em frente ao espelho do quarto de Alícia, Tize via-se usando um vestido listrado, as listras indo do branco no centro e passando para o azul-piscina e em seguida o azul-marinho; com decote em “V” e um cordão trançado azul e branco amarrado abaixo do busto. Calçou uma sandália estilo Anabela com tiras azuis e desceu para a cozinha.
Comeu um pouco de salpicão. Estava faminta por passar o dia inteiro trabalhando sem pausas para forrar o estômago.
Como Alípio estivesse demorando, Tize subiu ao primeiro andar e foi até seu quarto.
- Que roupa é essa? – perguntou ao entrar.
Alípio estava em frente ao espelho usando apenas uma calça social preta e ajeitava uma gravata borboleta no pescoço.
- O que acha? – disse sem se virar.
- “Delicious”! – Ela aproximou-se dele por trás e pousou a destra em seu peito. – Mas a casa está muito cheia agora. Vamos deixar pra mais tarde. – Ele virou-se abruptamente e a tomou para si.
- Agora. – E a beijou com vigor e paixão.
As bocas desencaixaram bruscamente o que deixou Tize sedenta por mais.
- Er... Você vai romper o ano assim?
- Que tal?
- Considerando-se que terá várias mulheres solteiras lá embaixo, eu não recomendo.
- Mas você me deixaria ir assim, se eu quisesse?
- Er... – Tize ficou mais vermelha que um pimentão. – Eu não ia gostar. Sou um pouco ciumenta. – Um sorriso matreiro surgiu nos lábios de Alípio.
- A roupa está sobre a cama.
- Hummm. Bermuda branca de sarja, blusa azul com o desenho de um pombo branco, só os contornos.
- Gostou?
- Adorei. Mas não tem nada vermelho?
- Por quê?
- Vermelho é paixão.
- Hmm... Tem a cueca. – E abaixou um pouco a calça pra mostrar enquanto Tize sorriu um sorriso faceiro.
- Vamos descer. O pessoal já deve estar chegando.
- Vamos. Vou só me trocar. – Ele vestiu a camisa que estava sobre a cama. Depois pegou o short e parou como se esperasse algo.
- Não ligue pra mim. Finja que não estou aqui – antecipou-se Tize, travessa.
Assim que os dois saíram do quarto, Ritinha veio correndo ao seu encontro.
- Tize! Tize! O que acha? Ficou legal? – Ritinha usava um vestido branco tomara-que-caia que Tize lhe dera, com barrados rosados no decote, na barra e abaixo do busto e, sobre a fita que marcava a região abaixo dos seios havia também um cinto na mesma cor dos barrados.
- Está linda! E esta cor se sobressai belissimamente sobre sua pele bronzeada!
- Está mesmo! – reforçou Alípio.
- Obrigada.
- Alguém já chegou? – perguntou Tize.
- Sim. Aquela sua amiga e outra menina que não conheço.
- Deve ser a Stefani. Rane ficou de trazê-la.
Tize desceu a escada correndo e Alípio e Ritinha foram logo atrás.
As duas moçoilas estavam sentadas em um sofá na sala de estar.
Ariane usava uma camiseta com lantejoulas douradas, um shortinho branco em cetim e muitos acessórios também dourados. Ao seu lado, Stefani usava um vestido rosa bem romântico e solto, de alças finas com bordados no decote e na barra e um fitilho abaixo do busto para marcá-lo.
- Menina, que chique! Vocês estão lindas! Rane quer muito dinheiro esse ano, hein!
- Não, quero paz também. Olhe aqui meu short branco!
- Ok. – Sorriu. – Você deve ser a Stefani. Prazer.
- Prazer.
- Vamos lá para fora. A ceia será no jardim, ao ar livre.
- Só espero que não chova. Dei pranchinha no meu cabelo! – disse Ariane.
- Eu também – confessou Stefani.
- E eu. – Todas riram.
- Acho que todas as mulheres dessa festa deram! – exclamou Alípio.
- Eu não. – disse Ritinha. – Adoro meus cachos.
- Bom, vamos todos lá pra fora!
E foram. Sentaram-se os cinco à mesa e abriram uma vodka. Ficaram conversando enquanto não aparecia mais ninguém.
Cristian e Roberto chegaram com apenas alguns minutos de diferença. Estacionaram em frente à mansão e entraram juntos. Cristian usava uma camisa vermelha com um bordado sobre o peito, com uma camisa preta por baixo, uma calça jeans clara e um tênis branco e preto. Roberto vestia uma camiseta de malha branca, uma calça jeans, sandálias de couro e uma jaqueta em sarja aberta.
Foram os meninos que se aproximaram de Tize e as meninas.
- Boa noite. Oi, Tize. – disse Cristian.
- Oi, Cristian. Como tem passado?
- Bem. E você?
- Estou bem. Obrigada por terem vindo. Aproveitem a festa!
- Será uma noite maravilhosa, como esta casa! – exclamou Roberto, estupefato.
Naquele momento, Rubens e Carlos chegaram juntos. Rubens usava uma camisa verde garrafa, com uma calça jeans de um verde acinzentado, tênis e os acessórios completavam o “look”: relógio de pulso com pulseira vermelha, cordão com um pingente de trevo e cinto com detalhes prateados. Já o Carlos tinha um estilo mais despojado e usava camisa branca com um colete creme por cima aberto, calça jeans rasgada, tênis e pulseiras. Ambos arrancaram suspiros de todas as solteiras presentes.
- Olá, rapazes! Vocês devem ser os amigos de faculdade do Alípio.
- E você deve ser a Tite. – disse Rubens.
- Tize. Sim, sou eu. Sejam bem-vindos. Se acomodem e aproveitem a festa!
- Obrigada – Rubens tomou sua mão e a beijou, polido.
Sara atravessou a pé o portão de ferro, acompanhada de Paula. Tize foi ao encontro das duas logo que as viu.
- Sara! Tudo bem? Nossa, tanto tempo que a gente não se vê! – Tize a abraçou. – Desde que o Alípio voltou de Nova Iorque que eu não vou ao centro (espírita)!
- É verdade! Mas até as pedras se encontram um dia, não é? E cá estou eu!
- Obrigada por ter vindo.
- Grata por me convidar.
Quando Sara afastou o corpo para trás Tize ficou encantada com sua camiseta baby look.
- Que linda! Quem são? Eu nunca vi esse desenho animado!
- Ah! Sou eu e meu namorado! Foi uma amiga minha artista plástica que pintou.
- Nossa! Adorei! Vou querer uma minha com o Alípio!
- Alguém disse meu nome? – Alípio surgiu por sobre o ombro de Tize e envolveu sua cintura.
- Eu estava dizendo a Sara que vou querer uma blusa igual a essa de nós dois.
- Eu também quero!
- Eu vou passar o telefone dela pra vocês.
- Aí como faz? Ela desenha ao vivo?
- Você leva ao menos três fotos de vocês dois juntos em ângulos diferentes pra ela ver qual é a melhor posição.
- E na foto que você deu a ela você estava usando este short?
- Não. Era um parecido. – Sara usava um short azul-marinho em microfibra pregueado na frente e com dois bolsos atrás.
- Ah! Paulinha, você também está linda!
- Obrigada. Acha que ficou muito ousado? – Ela vestia um vestido balonê tomara-que-caia bege com pedrarias vermelhas de tamanhos variados em toda extensão do busto e alcançando a saia em alguns pontos estratégicos.
- Claro que não. Está lindo, romântico, moderno! Não acha, amor?
- Lógico! – exclamou Alípio. – Concordo em gênero, número e grau. – Paula sorriu tímida.
- Vamos sentar! Querem beber alguma coisa?
- Nós não bebemos. Só refrigerante.
- Claro. Fiquem a vontade. Eu vou colocar uma música.
Enquanto todos bebericavam e conversavam, muitos olhares se cruzaram.
Apesar de ter sentido o clima de romance no ar, Tize chamou as meninas para irem buscar a comida. Foi melhor assim, antes que as coisas tomassem uma dimensão maior, pensava.
Cada menina trouxe um prato, incluindo a sobremesa.
Todos comeram de se fartar.
- Está delicioso!
- Muito bom!
- Maravilhoso!
- Meus cumprimentos ao chef.
- Quem fez?
- Rane, Ritinha e eu.
- Já podem casar – brincou Roberto.
Após o jantar, o flerte continuou num tablado improvisado onde os rapazes tiveram a chance de ter um contato mais próximo com suas paqueras durante uma dança.
Alípio passou a mão por baixo do vestido de Tize e acariciou a sua coxa. Com um sorriso matreiro, disse a Tize o que queria sem pronunciar uma palavra e os dois entraram na mansão. Antes de subir para o quarto dele, Tize passou pela sala de estar e colocou um cd romântico para incentivar o pessoal no jardim.
Sem os anfitriões para podá-los, os casais foram se achegando mais e procurando um cantinho para si.
Durante uma hora foram muitos beijos, carícias, amassos e algumas rapidinhas por parte dos mais ousados.
Quando Tize e Alípio voltaram, com pouco tempo todos retornaram à mesa com seus pares e continuaram a beber e conversar. Até Ritinha havia arrumado alguém: o Roberto.
- Vocês são lindos! – Ariane disse com um copo de vodka na mão se referindo a Rubens e Carlos. – Onde se esconderam este tempo todo que não os achei?
- Rane, quantas doses você já bebeu?
- Sei lá. Mas todas vocês concordam comigo. Até você Tize!
As meninas coraram de vergonha sem saber onde enfiar a cara.
- Rubens, casa comigo? Te dou casa, comida e a máquina te dá a roupa lavada. – Alguns à mesa riram da última parte.
- Rane! – Tize a fitou, enérgica. – Me desculpem rapazes. Rane, você vem comigo. – Ela se pôs de pé ao lado da amiga.
- Pra onde?
- Lá pra dentro.
- Eu vou ficar bem aqui. Ninguém me tira dessa cadeira.
- Alípio, você me ajuda?
- Estou aqui. O que deseja?
- Pegue as duas e leve lá pro quarto da Alícia. – Alípio ergueu a cadeira.
- O quê?! Não! Me põe no chão! Eu vou andando! – Ele esperou um comando de Tize para poder colocá-la no chão. Ariane levantou-se e virou o restante da vodka no copo.
As duas entraram no quarto de Alícia e Ariane ficou perplexa.
- Isso é só um quarto? É maior do que a minha casa!
- Quem pode, pode.
- Quem não pode se sacode – Ariane completou com escárnio.
Tize a empurrou para dentro do banheiro.
- Caraca!!! Espelho, banheira, boxe de vidro. Eu quero um banheiro assim!
- Tire a roupa.
- O quê?
- Tire a roupa se não quiser que eu a coloque embaixo do chuveiro com roupa e tudo. AGORA! – Ariane estremeceu e acatou. Foi empurrada para debaixo da ducha.
- Que água fria!
- Tem que ser gelada pra acabar com a ressaca!
- Eu não estou bêbada! Só um pouco alegre.
- E eu sou a Mamãe Noel!
- Minha chapinha!!!
- Quem mandou beber? Você quer começar o ano já bêbada?
- Eu não estou bêbada! Eu já disse.
- Tome. – Tize lhe deu uma toalha de banho. – Seque-se. Vista a sua roupa e vamos descer.
Foram para a cozinha. Tize preparou um café bem forte e sem açúcar e mandou que Ariane tomasse.
- Urgh! – Fez uma careta. – Horrível!
- Como se sente?
- Mais lúcida.
- Ótimo! Vamos voltar para a festa! Faltam quinze minutos para dar meia-noite!
Quando as duas regressaram ao jardim, os meninos estavam fazendo a maior algazarra com as renas da decoração de Natal. Cristian estava montado em uma delas.
Tize correu para pôr ordem na casa.
- Ho-ho-ho! – disse Cristian. – Vamos cruzar o céu! Para o alto e avante!
- Cara, você está muito bêbado! – zombou Roberto. – É só uma rena de jardim, ela não voa.
- O que vocês estão fazendo? – abordou Tize.
- Estamos tentando voar.
- Desça daí, Cristian. Minha sogra me mata se acontecer algo com essas renas!
- Gente! Gente! – Alípio veio correndo. – Dez minutos para o Ano Novo! Vamos para a praia!
Todos correram portão a fora e percorreram os cem metros até o calçadão em exatos dez minutos.
Enquanto recuperavam o fôlego, centenas de estrelas surgiram no céu, durante o show pirotécnico.
Tize e Alípio se beijaram e ela aconchegou-se em seu peito; Ritinha e Roberto se abraçaram mais comportados; Ariane sugou cada gota de saliva de Rubens e os outros casaizinhos também se enlaçaram com carinho: Stefani e Cristian e Paula e Carlos. Só Sara ficou contemplando o espetáculo com seu namorado na camiseta e no coração.
Depois todos trocaram abraços entre si e desejaram feliz Ano Novo uns aos outros. Muita gente que estava na praia correu ao mar, incluindo Tize e Alípio.
Ambos tiraram as sandálias e mergulharam de cabeça no mar. Completamente molhados, beijaram-se com luxúria e urgência.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Capítulo 35
Ritinha chegou à fazenda e os três viajantes entraram no Fox vermelho. Tize pisou fundo no acelerador e tomou a estrada para Ponta do Sol.
A mocinha do interior estava extremamente empolgada com todas as possibilidades que a Capital lhe oferecia. Em sua primeira ida a passeio para Ponta do Sol, esperava um giro de 180° em sua vida na virada do ano.
Uma hora de estrada depois, o celular de Alípio mostrou que estava ali. Atendeu mais que depressa ao ver quem era:
- Oi, mãe.
- Filho, onde vocês estão?
- Estamos na BR, mãe. Por quê?
- Seu pai e eu estamos aqui em frente ao apartamento de vocês.
- O que vocês estão fazendo aí?
- Passamos aqui perto e resolvemos entrar para chamá-los pra passar o Ano Novo conosco na casa do seu tio Alfredo.
- Ah, mãe, eu tenho outros planos!
- Vamos! Seu tio contratou um show pirotécnico particular.
- Não, mãe, eu tenho coisa melhor pra fazer.
- Tudo bem – disse contrariada.
- E a mansão? Alguém vai ficar lá?
- Não. Dispensei os empregados.
- Eu posso fazer algo lá?
- Claro. Mas só você e a Tize naquela casa enorme?
- Não. Vamos chamar alguns amigos.
- Então se divirtam. Um cheiro. Tchau.
Alípio voltou-se para Tize:
- Vamos fazer uma festa de Ano Novo! – exclamou.
- Aonde? – perguntou Tize.
- Na mansão dos meus pais.
- Cara, seus pais tem uma mansão? – Ritinha ficou maravilhada.
- Tem. Quem você vai convidar, amor?
- Hmmm... Ritinha, Ariane, Paula, Sara, Cristian, Roberto. Só. E você?
- Acho que ninguém.
- Nem um amigo da faculdade?
- Amigos da faculdade... Acho que só dois: Rubens e Carlos. E o cardápio qual vai ser?
- Deixa eu ver... – pensou por um bom tempo. – Arroz com lentilhas, farofa com passas, salpicão, tender, peru, vinho e champanhe. Está bom?
- Ótimo! Só não gosto muito de arroz com lentilhas.
- É pra atrair dinheiro.
- Hummm. Se é assim... – E abriu um sorriso farto.
- Eu mal posso esperar! - disse Ritinha. – Esse Ano Novo promete! E eu espero que cumpra.
- Então eu vou tratar de chamar o povo.
- Eu também - disse Alípio.
- E eu faço o quê?
- Er... Você pode assistir tevê, comer alguma coisa. Fique à vontade.
Tize pegou o telefone na mesa de canto e saiu ligando para todo mundo. Pediu que Paula falasse com Sara, pois ela não tinha o seu número. Contudo, se deteve mais, é claro, conversando com Ariane.
- Mais é muito chique! Vai dar uma festa e numa mansão! Está com tudo hein! – exclamou Ariane.
- A casa é só emprestada.
- Ei, posso levar a Stefani? É que eu prometi passar o Réveillon com ela!
- Claro! Naquele dia ficamos de ir á praia e ela não pôde ir. Quero muito conhecê-la.
- Ela é uma figura. Você vai gostar.
- Então está combinado. Até mais. – E desligou.
Depois do almoço veio uma ligeira sonolência acometer a todos na casa e o casal Tize e Alípio se recolheu em seu quarto.
Tize estava distante, os olhos semicerrados, no mais profundo silêncio exterior. Por dentro ela se mostrava o oposto total.
Alípio achegou-se e a envolveu caladinho. Foi pego totalmente de surpresa quando sua amada começou a chorar.
- Quê se passa?
- Estou com minhas lembranças.
- Pra quê lembranças tristes agora? Hoje faz seis meses que estamos namorando. E daqui a três dias daremos uma festa para todos os nossos amigos e comemoraremos juntos a chegada do Ano Novo.
- Estava me lembrando que este ano passarei o Réveillon acompanhada pela primeira vez. Já tinha perdido as esperanças de que isso acontecesse um dia. Este mesmo dia ano passado eu chorava porque ia passar sozinha. E hoje sendo o nosso sexto aniversário de namoro, me fez lembrar de todos os meus amores frustrados.
- Eu não acredito! - ele levantou-se de um salto. - Eu aqui e você fica se lembrando dos amores antigos que nem correspondidos foram! - Ele abotoou a camisa e saiu pisando duro.
- Alípio, aonde você vai? Alípio! - Tize correu à porta do quarto num átimo. – Volta. – Ela só ouviu a porta de entrada batendo. – Volta. – Ela permitiu que os ombros caíssem e retornou a cama acompanhada por um pranto copioso. Não podia acreditar que ia perder seu amor às vésperas do Ano Novo.
Ritinha entrou no quarto naquele momento e a encontrou abraçada ao Tico, encharcando-o com suas lágrimas.
- O que aconteceu?
- Tivemos um desentendimento.
- Mas ele vai voltar, né? – Ritinha sentou-se na cama.
- Espero que sim. De todo meu coração, eu espero realmente que ele volte. Ai, Ritinha! – Tize a abraçou. - Eu não quero passar o Ano Novo sozinha de novo!
A noite chegou e nada do Alípio.
Tize tinha os olhos vermelhos de chorar. Já tinha apelado a todos os santos para que ele retornasse. Pegou o telefone sobre o criado-mudo e ligou para sua amiga e confidente.
- Rane, você pode vir aqui pra casa? – disse entre lágrimas.
- Agora?
- Sim.
- Pô, agora eu estou com o Jorge. Pode ser depois, não?
- Não. Tem que ser agora. Estou em tempo de ter um treco!
- A sua sorte é que estamos apenas no MSN. Se estivéssemos pessoalmente, você ia ver!
Minutos depois, Ariane chegou á casa de Tize e as duas se trancaram no quarto. Ambas sentaram na cama e Tize a fitou com os olhos marejados.
- E então? Qual foi o muro de Berlim que caiu dessa vez?
- Alípio e eu brigamos, quer dizer, nos desentendemos.
- Por quê?
- Eu fiz uma besteira.
- Qual?
- Eu disse pra ele que estava me lembrando dos meus amores frustrados.
- Eu não acredito! Você é burra ou idiota?
- Poxa, não precisa ser tão dura.
- Eu só estou mandando a real. Você com um homem daquele ao seu lado e fica se lembrando de paixonites que não deram certo! AH, FAÇA-ME O FAVOR, NÉ, TIZE! VAMOS SER IDIOTAS, MAS NEM TANTO!
- Ele saiu na hora do almoço e até agora não voltou.
- Você já ligou pra ele?
- Não tive coragem. Rane, estou com tanto medo que ele não volte mais!
- É bem pregado! – Tize desatou a chorar. – Calma, não chora. Escute o conselho que vou lhe dar: nunca, jamais devemos contar todos os nossos pensamentos pra namorado. Se fosse pra todo mundo saber o que os outros pensam, eles não seriam ocultos, né verdade? Deus criaria um modo de conhecermos os pensamentos uns dos outros. Por isso, guarde os seus pra você, principalmente os que dizem respeito a amores antigos. Assimilou? – Tize assentiu.
- E agora, eu faço o quê?
- Você não tem nenhuma ideia de onde ele possa estar?
- Não sei. Na casa dos pais, talvez. Mas eu prefiro esperar, mesmo que eu morra de aflição.
Depois que não tinha mais ninguém no quarto, Ariane já havia ido embora e Tize estava quase adormecendo, uma silhueta masculina surgiu sob o arco da porta.
- Alípio? Estou sonhando?
A figura se aproximou e os traços foram se tornando mais nítidos. Sob seu queixo surgiu uma linda rosa vermelha que ele segurava.
- Me perdoe. Fui muito intempestivo hoje à tarde.
- Eu também preciso pedir desculpas. Foi muita falta de consideração e respeito de minha parte dizer que estava pensando em outros. Me desculpe. Sou muito inexperiente em relacionamentos, você sabe, mas a Ariane me deu uns toques.
- Então estamos perdoados. - E estendeu-lhe a rosa.
- Eu tive tanto medo que você não voltasse!
- Mas é claro que eu voltaria. Só precisava esfriar a cabeça.
- A inexperiência deixa a gente com a cabeça cheia de caraminholas, né?
- É verdade. Já passei por isso. Melhor dizendo, quem nunca passou, vai passar um dia.
- É mesmo.
- Vamos comemorar o nosso dia? - Tomou-a para junto de si antes mesmo da resposta e beijou seu pescoço.
- Ai!
- O que foi? Eu a machuquei?
- Não, a rosa espetou meu dedo.
- Ow! - Ele pegou seu indicador e sugou seu sangue. - Passou?
- Sim.
- Então? Onde estávamos? Ah, sim! - E a beijou nos lábios com ânsia e vigor, permitindo-se afundar no colchão macio com Tize.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Capítulo 34
- A noite está linda, não é mesmo? Olha só quantas estrelas! – exclamou Tize.
- São muitas, mas a minha estrela maior está bem aqui. – E se curvou até encostar-se em seus lábios.
- Eu te amo, sabia?
- Um passarinho me contou. – Um largo sorriso surgiu nos lábios de ambos. – Eu também te amo, pitxulinha. Foi por isso que eu trouxe uma coisa. – Ele enfiou a mão no bolso atrás do objeto.
- O quê?
- Tize, você aceita se casar comigo? – disse, estendendo uma caixinha com duas alianças.
- Nossa, são lindas! – Ela sentou mais que depressa. – Deve ter sido uma fortuna! Olha essas esmeraldas!
- Dinheiro não é problema. Você aceita?
- Claro que sim! Eu aceitei antes mesmo de você pedir! – Alípio esboçou um largo sorriso e a abraçou.
Ele pegou sua mão direita e ambos trocaram as alianças entre si.
Alípio tomou-a para junto de si e a beijou ardentemente. As mãos subiam e desciam pelas costas ávida e intensamente.
- Ah! Gostoso! Esse choque entre frio e calor é maravilhoso! – ela estava embevecida.
De súbito ouviu-se o pio de uma coruja. Tize arrepiou-se em um átimo.
- É melhor a gente entrar.
- O que foi? Está com medo?
- Não gosto do pio da coruja. Tenho medo. Minha avó costumava dizer que quando ela pia é sinal de mau agouro.
- Isso é crendice, amor.
- Eu sei, mas não me sinto bem. Vamos entrar, por favor. – Ele assentiu e os dois voltaram para a casa-grande, enlaçados.
O que a assustava mais no canto da coruja era o fato de que certa noite acordou assustada com o pio de uma coruja e na manhã seguinte ficou sabendo que seu avô havia morrido minutos depois daquela hora. Foi então que a afirmativa de sua avó tornou-se verdadeira. E desde aquele dia ela se sentia muito mal ao ouvir o som da coruja.
Quando acordou pela manhã, Tize surpreendeu-se ao ver uma aliança em sua mão direita. Olhou-a encantada por alguns minutos.
Alípio estava de pé, recostado no peitoril da janela.
- Será que ainda estou sonhando? Esta aliança no meu anelar direito, você andando.
- Você está bem acordada. Olha! – ele mostrou sua destra também com uma aliança. Ao que ela correu ao seu encontro e o abraçou.
- Bom dia, princesa.
- Bom dia, meu amor. Eu estou tão feliz! Estamos noivos mesmo!
- Sim.
- O que vamos fazer hoje?
- Não sei. O que quer fazer?
- Vamos visitar nosso afilhado?
- Ok.
- Tá bom. Vamos tomar café então.
Ambos desceram.
- Bom dia mãe. Bom dia pai. - Tize surgiu no arco da sala de estar de mãos dadas com Alípio.
- Bom dia meus queridos - disse Cristina. - Sentem. Tomem café cum a gente.
À mesa havia pão, queijo, bolo, café, leite e suco de laranja.
- Ai, que mesa linda!
- Estou com água na boca só de olhar!
- Mas num é só pra oiá não. É pra cumê também!
- Vocês dormiram bem? - Antônio alfinetou.
- Sim, pai. Foi uma noite maravilhosa! Olha que linda a aliança que o Alípio me deu! - ela estendeu a destra em direção aos pais.
- Fia, qui linda!!!
- Muito bem, rapaz. Gostei de ver a sua atitude.
- Pru quê ocês num fizero um jantar de noivado?
- Ah, mãe, a gente decidiu fazer algo mais íntimo, só nós dois.
- Mais íntimo até que ponto?
- Bom pai nós.. er... - Tize estava pálida. - Nós dormimos juntos.
- Vocês dormiram juntos?
- É, pai.
- São os tempo moderno, Antônio. - Cristina tentou contornar.
- Er... - Antônio pigarreou. - Agora que vocês estão noivos, de aliança no dedo e tudo, eu não vejo problema. Quero mais é ver esta casa cheia de netinhos! - Tize corou e desviou o olhar.
- Bom, nós vamos visitar o Cauã. Vamos, amor?
- Vamos. Com licença.
Durante todo o caminho, Tize foi pensando no que seu pai dissera. Ele precisaria esperar um bom bocado para ver a cara dos netinhos, quanto mais eles correndo pela fazenda.
Tize estacionou o carro em frente à casa do Hélio e com pouco tempo Zuleide veio recebê-los. Nosso casal se acomodou no sofá e ficou a esperar.
- Oi, Hélio. Tudo bom? - disse Tize ao vê-lo surgir à sala. – Nós viemos ver o Cauã.
- Que pena. Ele está dormindo. Ele e a Janice.
- Podemos vê-lo mesmo assim?
- Claro, venham comigo.
Os três entraram por uma porta e se depararam com Janice sentada na cadeira de amamentar e o pequeno Cauã colado ao seu peito. Tize se sensibilizou com a cena e abraçou-se a Alípio.
- Que cena linda!
- Eu não me canso de observá-los.
- Acho que eu também não. Quando isso acontecer com a Tize, é claro.
- Nós trouxemos uma roupinha para o Cauã. - Tize estendeu-lhe um pacote com laço de fita.
- É lindo! Uma roupa de marinheiro. Obrigado de coração!
- De nada. Bom, nós precisamos ir.
- É cedo. Fiquem mais um pouco.
- Precisamos ir. Ficaríamos mais se o Cauã estivesse acordado.
- Tudo bem. – Hélio pareceu frustrado. – Eu os acompanho até a porta.
Na despedida em frente à casa, Tize o abraçou. Alípio sentiu uma ponta de ciúme e esperou.
- Feliz Ano Novo! Que este ano que vem aí seja repleto de muitas alegrias para todo mundo: você, a Janice, seus pais e o Cauã.
- Obrigada, Tize. Desejo em dobro pra vocês!
- Obrigada. Tchau.
Dentro do carro, Alípio comentou:
- Eu o achei meio feinho. Você não achou não?
- Ah, recém-nascido tem tudo cara de joelho. – Tize deu a partida e pisou no acelerador.
- O nosso será muito mais bonito!
- O nosso o quê? – Tize distraiu-se.
- O nosso filho.
- Quê? – Ela entrou para a direita com tudo para desviar de uma vaca que surgiu de repente na estrada.
- Ele vai ter os seus olhos doces, o meu sorriso, não que eu ache o seu feio, é que um sorriso largo ajuda muito com as mulheres. Ele terá o seu dom para as artes e o meu gosto pelos esportes. – Tize, que imaginava tudo, desatou a chorar. – O que foi? Falei algo errado?
- Não – disse entre lágrimas. – É que eu preciso te contar uma coisa.
- Pode dizer.
- Há três anos atrás... – Ela fez uma pausa e escolheu as palavras. – Bem, eu descobri que tenho a Síndrome dos Ovários Policísticos.
- O que isso significa? – ele engoliu em seco. – Eu não entendo de ovários.
- Significa que as ovulações são muito irregulares, podendo passar meses sem ocorrer. Consequentemente é difícil o acontecimento de uma gravidez.
- Então você não pode ter filhos?
- Posso. Só é difícil. Mas sim, pode acontecer do espermatozóide estar num dia de sorte e encontrar um óvulo lá dentro.
- E não existe tratamento ou cirurgia?
- Existem os dois.
- E por que está tão preocupada?
- Fiquei com medo da sua reação. – Ela corou.
- Então não se preocupe.
Alípio pediu para ela encostar o carro e colocar a cabeça em seu colo e Tize o fez.
- Não fique assim. – Ele secou seu rosto com o dorso da mão. – Quando o nosso bebê tiver que vir, ele virá. Deus saberá quando chegar a hora de sermos pais. – Tize meneou a cabeça assentindo. – Nós temos muita coisa para viver juntos ainda!
- Sim – sua voz saiu rouca.
- Quer que eu dirija? Não sinto você bem para dirigir.
- Você já pode dirigir?
- Bom, não tentei ainda. Mas se eu já posso andar, acho que posso dirigir também. – Tize se levantou e eles trocaram de lugar. – Agora procure se acalmar. – E depositou um selinho em seus lábios. – Tá bom? Então vamos nessa!
A segunda-feira acordou cedo na fazenda.
O batizado do filho do Hélio estava marcado para depois da primeira missa do dia.
Tize estava na frente do espelho colocando os brincos que desciam na altura do queixo. Usava um vestido prata acima do joelho com strass contornando o decote e o cabelo preso em um coque.
Alípio entrou no quarto de roupa social e a envolveu, beijando de leve seu pescoço.
- Ai, que susto!
- Desculpa. Estava com saudade.
- Vamos já está na hora.
- Mas antes...
- O quê?
- Você está linda! - Ele a puxou para si e a beijou com ternura, deixando fluir todo o amor que sentia por ela.
- Vamos. Antes que você me amasse toda. - Ela pegou sua bolsa tipo carteira sobre a escrivaninha e desceu.
Na entrada da igreja, havia algumas pessoas, em sua maioria haviam assistido a missa e não ficariam para o batizado.
- Tize? – Renata admirou-se ao vê-la tão deslumbrante com os cabelos presos em um coque e uma mechinha cacheada caindo na testa e discretamente maquiada.
- Olá, Renata! Tudo bem? – ela soltou o braço de Alípio.
- Tudo. Como você...
- Ah, você notou? Como é observadora! Virei um lindo cisne, não foi? – Renata ficou de boca aberta, paralisada, muda. – Renata, você está bem?
- Estou. Claro. Que bom que virou cisne finalmente. Fico feliz por você! – sorriu simpática, mas no fundo podia se notar um ar de deboche no seu tom. – Tchau – e saiu à francesa.
- Feliz Ano Novo, Renata! E pra você também, Luísa!
As duas saíram cochichando algo que não dava para distinguir.
Tize voltou para Alípio com um sorriso de satisfação adornando os lábios e o beijou com sofreguidão.
- Amor, você sabe onde estamos? – perguntou Alípio.
- Na Igreja.
- E você não tem medo do padre brigar com a gente?
- Não. Estou feliz. Na verdade, eu me sinto poderosa!
- Ah, é? Por quê?
- Deixei a Renata de queixo no chão, sem palavras.
- Quem é essa?
- É uma garota que vivia me infernizando, me chamando de patinho feio. Mas agora eu sou um cisne!
- O meu cisne. – Ele passou sua mão grande por sob sua orelha e acariciou sua nuca; e ela ergueu levemente o queixo de olhos semicerrados.
Ritinha aproximou-se dos dois assim que viu Renata bem longe.
- Oi, Tize. Oi, Alípio.
- Oi, Ritinha! Conta as novidades.
- Nenhuma. Só o batizado mesmo.
- Que cara é essa? Cadê o amor?
- E eu sei o que é isso?
- Oh, amiga! Acredite. Se eu consegui encontrar o meu, você também conseguirá.
- É. Só não sei quando.
- Ei, nada de tristeza. Cadê aquela Ritinha alegre que eu conheço?
- Nessa época do ano sempre fico assim. Você sabe.
- Se eu pudesse, levaria você para passar o réveillon na Capital. Duvido que você não arrumasse ao menos um ficante!
- Seria uma ótima ideia!
- Seus pais deixariam você ir?
- Acho que sim. Não custa tentar - ela trazia um sorriso de orelha a orelha.
- Esta é a Ritinha sorridente que conheço!
- Quando vocês vão?
- Acho que depois do almoço.
- Então eu tenho que correr! - Ritinha saiu em disparada e Tize riu.
Hélio surgiu à porta da igreja de roupa social e avisou:
- Gente, vai começar.
- Então vamos! – Tize tomou Alípio pelo braço e os dois entraram.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Capítulo 33
O dia despontou no horizonte mais iluminado do que de costume, como se o sol estivesse resplandecendo a alegria que sentia pela data e o que ela representava. Era vinte e cinco de Dezembro, dia de Natal. E assim como o sol, toda a natureza parecia estar comemorando o nascimento de Jesus: a brisa que entrava pela janela do quarto estava mais fresca, o céu mais límpido e os galhos das árvores dançavam ao sabor do vento.
- Amor, levanta. Está na hora. – Tize corria pelo quarto atrás de uma liga para prender o cabelo.
- Que horas são? – Ele espreguiçou-se gostosamente.
- São exatamente oito horas.
- E você já está pronta?
- Não, ainda vou tomar café.
- Hummm – ele esticou-se todinho na cama como um felino.
- Levanta pra gente tomar café junto e pegar a estrada.
- Nossa, como está mandona hoje! – Ele levantou-se de um pulo e a enlaçou por trás.
- Só estou apressada, amor. – Tize virou-se e lhe deu uma bitoquinha. – Quero pegar a estrada livre. E também quero chegar a tempo pro almoço.
- Então vou me arrumar, tá? – E beijou de leve sua face rosada.
Sentados à mesa, Tize saboreando uma salada de frutas e Alípio com um misto quente, ambos comentavam a festa da noite anterior.
- Mas foi muito engraçado seu tio bêbado, porque ele estava totalmente embriagado, cantando: “Eu Não Sou Cachorro Não”!
- Não é difícil ele dar estes vexames nas festas de família!
- Hahahahaha! – ela ria a larga. – Ainda bem que sua irmã e eu nos entendemos.
- Graças! A Alícia já é chatinha como amiga, imagine como inimiga!
- Ixi! Vamos? – ela levantou-se em um átimo.
- Deixa pelo menos eu... – ele falava de boca cheia – engolir a comida. Acho que você vai encontrar outro homem lá em Alegria. Por isso está com essa pressa toda!
- Eu só tenho olhos pra você e sabe disso. Mas hoje é feriado e todo o mundo sabe que o trânsito nas estradas vai ficar cada vez pior.
- É verdade. – Ele secou a boca com um guardanapo e levantou-se. Correu a abraçá-la. – Perdoa este seu namorado ciumento? É que agora você está um mulherão e deve chover homens atrás.
- Haha! Eu não estou sabendo dessa história não. Vamos, ande. – Ela soltou-se dele e pegou sua bolsa de couro sintético sobre o sofá da sala. Correu para a porta e Alípio apressou o passo para não ficar pra trás.
Ambos iam na BR quando o celular de Alípio tocou. Ele remexeu no porta-treco ao lado do câmbio e pegou o aparelho. Estranhou ao ver o nome que aparecia no visor.
- Oi, Gustavo.
- Oi. Só fala mais baixo, porque eu “tô” morrendo de dor de cabeça!
- Já vi que é ressaca.
- E das bravas! Ontem bebi até não poder mais! Foi tanta sidra que eu apaguei, só acordei agora! Por falar nisso, Feliz Natal! Ontem não te liguei porque “tava” muito grogue.
- Hehe. Sem problema. Feliz Natal pra você também!
- Valeu.
- Onde você está?
- “Tô” aqui em Morro Alto na casa... Nem sei de quem. – Alípio ria a larga do outro lado da linha. – Vim pra casa dos meus pais. E você?
- Eu estou indo pra casa dos meus sogros.
- Já casou?
- Ainda não. Mas já estou noivo.
- De quem? Da Tize? É esse o nome dela?
- Sim, estamos noivos.
- Quem te viu, quem te vê! Mas ó, parabéns! Espero que agora você sossegue. Ei, vou dormir, falou? Ver se essa dor de cabeça passa pra eu sair à noite.
- Quem está precisando sossegar é você. Juízo hein! Tchau. – E desligou.
- Era o Gustavo? – Tize quebrou seu silêncio.
- Sim. Ele está em Morro Alto.
- Ah, ele é de lá?
- A família dele mora lá.
- Hmmm.
- Está com uma ressaca! Só você vendo.
- Já estamos chegando. Estou com uma fome!
- Também, você comeu só aquela saladinha de frutas! – Tize se calou e voltou-se para a estrada.
Um banquete esperava o casal na fazenda. Dona Cristina e Lúcia tinham caprichado na refeição para comemorar tanto o Natal como a recuperação de Alípio.
- Fia! – Cristina correu a abraçá-la. – Filiz Natár!
- Feliz Natal, mãe! Tudo bem por aqui?
- Tudo bem. Pru quê ocês não vinhero ontem?
- Bom...
- É que a minha mãe nos convidou para cear com minha família. A senhora entende, não é?
- Craro, meu fio. Ocê tinha todo direito de passá o Natár com seus pais!
- É, mãe, mas hoje é que é vinte e cinco de Dezembro.
- E ocês vão ficá aqui inté quando?
- Até o batizado do Cauã. A senhora já foi vê-lo?
- Sim. É um meninão grande! Come por demais, vive agarrado nas teta da mãe!
- Mãe, isso é jeito de falar? – Tize olhou de rabo de olho para Alípio.
- Discurpa, meu fio. Mas ocê sabe que as vaca tem teta...
- Mãe! A senhora só está piorando as coisas. A Janice não é uma vaca. É melhor a gente esquecer isso e comer.
Na mesa havia um peru douradinho, salpicão, farofa, arroz com passas, salada e batatas gratinadas. Só de olhar, Alípio e Tize ficaram com água na boca.
Antônio, que já estava à mesa comendo, levantou-se para abraçar a filha.
- Florzinha, que saudade! Como você está?
- Eu estou bem, pai.
- E você, meu rapaz? Vejo que já está de pé novamente!
- Graças a Deus!
- Qui bom qui ocê tá andando di novo! A genti fica muito filiz!
- Eu fiquei tão feliz quando o vi sair do avião com as próprias pernas! Foi como tirar um peso das minhas costas! – Tize secou uma lágrima que escorreu por sua face. Por debaixo da mesa, Alípio pousou sua mão sobre a dela.
- Nós temos uma novidade para contar pra vocês, não é, pequena? – Ela assentiu. – Dona Cristina, Seu Antônio, nós estamos noivos!
- Quê?! – Antônio engasgou.
- Quando será o casório? – perguntou Cristina.
- Ainda não tem data, mãe.
- Daqui a dois anos eu me formo aí a gente se casa, não é, amor? – Como ela assentisse, ele a beijou nos lábios com ternura.
- Eu sabia que você era um menino sério. Vi logo que não estava de brincadeira com a minha filha.
- Claro que não, Seu Antônio.
- Vamos parar de falar e comer logo? – perguntou Tize. Antônio e Cristina se entreolharam, atônitos.
- Não liguem. Ela está assim hoje desde que acordou. – Num átimo, Tize deu uma cotovelada em seu braço robusto. – Au! – ele levou a mão ao local atingido.
Todos se fartaram, sem exceção.
Após o almoço, Cristina chamou Tize para uma conversa a sós. As duas foram para o quarto de desta na fazenda enquanto os rapazes ficaram na sala.
- Fia, ocê já contou pru Alípio?
- Contar o quê?
- Qui ocê num pode ter nenê?
- Bom... Er... – Tize desviou o olhar, nitidamente emocionada. – Não estamos pensando em filhos ainda.
- Mas ocê pricisa contá. – Cristina pousou a mão em seu ombro.
- Mãe, eu posso ter filhos sim. O médico disse... Bem, ele disse que as chances são pequenas, porque eu tenho ovários policísticos, mas pode acontecer do espermatozóide encontrar um óvulo e fecundá-lo. Eu posso ser mãe natural sim, mesmo se for preciso fazer um tratamento de indução à ovulação. Qualquer coisa a gente pode utilizar o método in vitro.
O médico fecunda o óvulo num laboratório e depois ele é inserido no meu útero.
- Ocê e o Alípio já drumiro junto?
- Sim. Dormimos juntos todos os dias.
- E ocê num contô pra ele?
- Não.
- E ele já falô se quer ser pai?
- Não me lembro. Por favor, mãe, me deixa sozinha. – Ela passou a mão entre os cabelos suando frio.
- Tudo bem, fia. Pensa no que eu te falei. – Cristina levantou e saiu.
Tize tirou as sandálias e se deitou na cama. Aquele assunto parecia ter ressurgido de um pesadelo. Na falta do Tico, ela abraçou-se ao travesseiro e chorou.
Descobrira aos quinze anos que possuía a Síndrome dos Ovários Policísticos. Como a ovulação era muito irregular, às vezes se ausentava por meses, a chance de engravidar era difícil, podendo ser necessário alguma espécie de tratamento medicamentoso.
Tize ficou extremamente triste na época achando que não poderia ter filhos nunca, mas depois um ginecologista de Ponta do Sol lhe explicou que ela poderia sim, só que suas chances eram menores em virtude da extrema irregularidade dos ciclos, e que se ela não conseguisse de forma natural ou se não quisesse esperar pelo dia sortudo, poderia fazer um tratamento de indução à ovulação. Isso a deixou mais aliviada.
Fazia realmente muito tempo que ela não relia esta página de sua vida. Por que sua mãe tinha que reabrir esta ferida?
Nesse instante, Tize ouviu batidas na porta.
- Amor, posso entrar?
- Pode. – Ela rapidamente secou o rosto com o lençol.
- Estava dormindo?
- Não, só pensando.
- Em quê, posso saber? – Ele se achegou e deitou-se na cama, passando um braço em torno de sua cintura.
- No que mainha disse.
- Deve ter sido algo muito triste. Seus olhos estão vermelhos. Estava chorando, não era?
- Bom, se os olhos estão tão vermelhos assim, eu não tenho como negar.
- Seja o que for que ela tenha dito, não pense mais nisso. Eu estou aqui agora.
- Sabe o que eu queria nesse momento?
- O quê?
- Pudim de leite, brigadeiro, chocolate...
- Já vi que está tristonha mesmo. Sabe, minha irmã quando está triste pede pra Guilhermina fazer uma panela de brigadeiro, aí vai pro quarto dela e fica assistindo filme meloso enquanto come.
- Eu também fazia isso, quer dizer, faz tempo que não faço.
- Mas a senhorita comeu agora. Deixe pra mais tarde. Durma um pouco que eu tenho certeza que essa tristeza terá passado quando você acordar. – Ela aconchegou-se em seu peito sem muita convicção de que aquilo aconteceria, mas com uma boa dose de esperança de que a conversa com a mãe tivesse sido apenas um sonho.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Capítulo 32
Alípio aproveitou a oportunidade para mandar mensagens de “Feliz Natal” para os seus amigos.
A noite caiu serena.
Tize desfez a posição de lótus assim que a luz do letreiro de um bar em frente começou a piscar e refletir na parede do seu quarto. Tomou um banho, deu pranchinha no cabelo e prendeu-o com um broche. Voltou ao quarto e vestiu um vestido vermelho com um bolero de crochê branco com pérolas e sandálias douradas.
Pegou os presentes que comprou para a família de Alípio e ambos desceram para o estacionamento. Foram direto para a mansão dos Alcântara Prado.
Vários elementos compunham a decoração de Natal da fachada. Havia luzes brancas em volta das janelas e em arbustos no jardim, renas que mexiam a cabeça completavam a ornamentação da parte da frente da casa. Na parte de trás, mais luzes brancas em árvores plantadas em vasos dispostos em locais estratégicos entre as mesas, e várias velas boiavam na piscina, acesas.
- Boa noite, querida! – exclamou Mariane. Tize admirou-a por longo tempo. Ela usava brincos e colar de pérolas, um vestido longo creme com bordados em fio de ouro e sandálias douradas.
- Boa noite, Dona... Ops! Esqueci. Boa noite, Mariane! Feliz Natal!
- Feliz Natal, querida!
- Nossa quanta gente! Não conheço nem a metade desse povo!
- Não precisa se dar ao trabalho – disse Alípio. – A maioria só aparece no Natal.
- É verdade, querida. Tem uns que, GRAÇAS A DEUS, só vemos uma vez por ano!
- E Alícia, onde está?
- Eu ainda não a vi. Deve estar no quarto terminando de se arrumar.
- Ela ainda está com muita raiva de mim?
- Para ser franca, nunca mais a vi tocar no seu nome.
- Hmmm... Vou subir para falar com ela.
- Boa sorte! – Alípio lhe deu uma bitoquinha.
- Obrigada, amor.
Tize subiu a escada de granito e entrou no corredor de acesso aos quartos. Uma das portas estava aberta e ela dirigiu-se para lá.
O quarto era enorme! Era dividido em três partes: na primeira parte havia uma cama de casal, uma penteadeira e um computador; na segunda havia um sofá, vários almofadões e pufes, uma tevê de plasma de 40 polegadas e dvd; e na terceira parte havia um closet e por fim um banheiro com ofurô e tudo.
Na primeira parte não havia ninguém. Entretanto, Tize ouviu vozes femininas que vinham lá de dentro, dentre elas a voz de Alícia.
- Alícia?
- Quem está aí? – Alícia veio só de lingerie da direção do banheiro. – Tize? – Ela vinha separando o cabelo em mechas.
- Oi.
- O que faz aqui? Quem deixou você entrar no meu quarto?
- Desculpa. A porta estava aberta.
- O que você quer?
- Alícia, nós podemos conversar?
- Agora? Eu estou me arrumando para a festa!
- Não vai demorar. Só preciso de cinco minutos.
- Ok. – Alícia sentou-se diante da penteadeira e começou a alisar os cabelos. – Estou ouvindo.
- Nós nunca tivemos uma convivência pacífica e eu sempre quis que fosse diferente. Tudo começou com o acidente do Alípio que ninguém tem culpa nenhuma. Só Deus sabe o que assustou o cavalo.
- Vá direto ao ponto.
- Não sei o que desencadeou o ódio que tem por mim se foi um acidente, mas mesmo assim eu gostaria de lhe pedir perdão. Perdoe-me. Eu sou a primeira pessoa a querer que aquele acidente não tivesse acontecido. Perdoe-me, por favor! Em breve eu entrarei para família e não quero ficar trocando farpas com você.
- Meu irmão merecia alguém melhor.
- Melhor em que sentido? Mais patricinha? Mais rica? Não sei se você sabe, mas o meu pai é um fazendeiro muito rico.
- Er... A Renatinha sempre foi louca pelo Alípio e eu me amarro nela. Por mim eles estariam juntos, mas aí você apareceu! Uma garota totalmente sem sal e ainda por cima o levou àquela fazenda onde o acidente aconteceu!
- Certo, então você me odeia. Tanto que foi capaz de mandar aquele e-mail horroroso para mim só por que queria que o Alípio ficasse com uma amiga sua? Mas você é uma patricinha muito egoísta mesmo! Ainda bem, GRAÇAS A DEUS, o Alípio não é como você!
- Eu devia saber que não ia adiantar. Alípio sempre gostou de tipos esquisitos. A última foi uma pintora maluca!
- Para o seu governo eu também sou artista plástica!
- Iiiiih!!!! Outra maluca!!
- Posso até ser maluca, mas nunca fiz mal a ninguém, ou a mim mesma, pra conseguir o que eu queria.
- Vai dizer que você nunca bebeu, nunca fumou? – um extremo preconceito pairava na voz de Alícia.
- Nunca! Só uma vodka de vez em quando. Mas nunca fiquei bêbada!!!
- Só falta você me dizer agora que ainda é virgem!!!
- Eu era, até seu irmão voltar de Nova Iorque.
- Ih, que careta!! Achei que mulheres assim não existissem mais!! Eu deixei de ser virgem com quinze anos!!!
- Nova demais!!
- Não. Esta é a idade que as garotas perdem a virgindade hoje em dia! Você que perdeu tarde!!!
- Não existe idade certa para isso!
- Claro que existe! Vai dizer que é normal perder com vinte anos?
- Eu não tenho vinte anos! Tenho dezoito.
- Tanto faz! É estranho.
- Estranho é você abrir mão de uma coisa tão preciosa e tão única na vida por que suas amigas disseram que tinha que acontecer.
- Por que você não pára de me encher e vai lá pra baixo puxar o saco da minha mãe?
- Escuta aqui, menina, não é por que eu trato a sua mãe melhor do que você a trata que eu... Ah quer saber?! Não vou discutir com você! Eu vim até aqui para tentar um acordo de paz.Não é possível que a gente vá brigar a vida inteira! Nós temos que ter algo em comum!
- Com certeza não!
- Tem que haver alguma coisa! Ouça, nós duas amamos o Alípio, certo? – Um momento de silêncio se arrastou. – Você quer a felicidade dele e eu também, isso já deveria ser um começo... Você só tem que entender, Alicia, que nesse momento, eu sou a felicidade dele e ele a minha! – Mais silêncio e Tize resolveu mudar de tática - Você já ouviu falar dos benefícios da Ioga, certo? A pele melhora, o corpo fica mais definido, a saúde melhora também!
- Já ouvi falar a respeito. – Alicia retrucou de má vontade.
- Então... Eu faço Ioga e...poderia lhe ensinar.
Os olhos de Alícia brilharam mais que um letreiro em néon, mas ela não disse nada.
- Tanto faz...
- Certo... Eu tentei. Só... pense no que eu lhe disse, está bem?
Alicia tinha virado de costas para ela e remexia em sua caixa de jóias.
Tize parou ao final do corredor e desceu a escada correndo.
- Alípio! – Tize se aproximou de Alípio no jardim.
- Oi, pitxulinha! Como foi com a Alícia?
- Continuamos na mesma. Não selamos a paz.
- Oh, meu amor. Não fique assim. Venha, vamos comer alguma coisa.
Tize estava parada ao lado da enorme árvore de Natal na sala da mansão quando sentiu alguém se aproximando. Era Alícia. Veio com duas taças de champanhe na mão e entregou uma delas a Tize.
-Você me ensina aquele negócio da Ioga?
- Claro! É sempre um prazer ensinar... Mas é importante que haja uma boa convivência entre nós. Você precisa dissipar este rancor que tem no peito.
- Claro! Claro! Eu já esqueci tudo!
Tize a olhou perplexa, mas satisfeita. Sabia que não tinha feito nenhuma mágica, mas conseguira pegar a patricinha pela vaidade.
- Vem cá me dar um abraço, cunhadinha! – Tize virou-se e abraçou Alícia, hesitante. – Feliz Natal e bem-vinda à família!
- Obrigada. Feliz Natal pra você também. – Soltou-a e lhe sorriu.
- Fico muito feliz que as duas tenham se acertado! – exclamou Alípio.
- Oh, irmãozinho! Feliz Natal! – Alícia se jogou nos braços dele.
- Feliz Natal, guria! – Por cima do ombro de Alícia, Alípio esboçou um largo sorriso para Tize.
- Licença. Eu vou falar com algumas primas minhas. – Alícia girou nos calcares e atravessou a porta que dava para o jardim.
- Ai, amor, estou tão feliz! A noite poderia terminar agora porque o Papai Noel já trouxe o meu presente! – exclamou Tize aconchegando-se em seu peito.
- Ainda acredita em Papai Noel?
- Sim. Por que não?
- Hehehe. Este ano ele também trouxe o meu presente! – Sorriu largo e beijou-a, afetuoso. – Vamos lá para fora? – Tize assentiu.
O casal atravessou o jardim e foi para a área em torno da piscina. Alípio e Tizeentaram-se em uma mesa separada para poderem ter privacidade para namorar
Entre trocas de carinhos e degustação de canapés, eis que o celular de Tize toca.
- Alô? – ela atendeu.
- Oi, Tize. É o Hélio.
- Ah, oi Hélio. – Alípio olhou-a, voltando sua atenção para a conversa.
- Você recebeu meu e-mail?
- Sim. Nós iremos.
- Tá certo. Feliz Natal pra você e o Alípio!
- Pra você e a Janice também! Tchau. – E desligou.
- O que ele queria? – perguntou Alípio.
- Só perguntou se eu tinha visto o e-mail dele sobre o batizado.
- Hmm. Quando vai viajar?
- Amanhã logo cedo. Quero passar o dia de Natal com meus pais. E você vai comigo, não vai?
- Claro que vou, meu amor!
Uma confusão do outro lado da piscina atraía a atenção de todos naquele momento.
- O que está acontecendo ali? – perguntou Tize a Alípio.
- Eu não sei, pequena. Parece o tio Alfredo. – Alípio se esticava na cadeira para ver por sobre os ombros dos curiosos.
O velho trazia na mão uma taça de champanhe e caminhava no ritmo cai-não-cai.
- Eu não sou cachorro não, pra viver tão humilhado. Eu não sou cachorro não, para ser tão desprezado!
Uma senhora de porte fino, já idosa, aproximou-se do marido embriagado e lhe chamou a atenção. Chamou então um jovem galante que rodopiava com uma bela jovem em um tablado instalado sobre o gramado para carregar o velho.
Tize riu da cena e comentou com Alípio:
- Não pensei que veria uma cena assim aqui! Hihi!
- É. Rico também bebe demais e faz papelão! Está pensando que são só os pobres?
- Hahaha! – Ele riu junto e mordiscou-lhe a orelha. – Hummm.
- Vamos lá pra dentro?
- O que você tem em mente?
- Você sabe.
- Sei é? – Ele assentiu.
Percorreram o terraço, passando pela sala de jogos e subindo a escadaria de mármore. No corredor de acesso aos quartos, Alípio ficou mais solto e acariciou Tize diversas vezes.
Entraram em um dos quartos, afoitos. Tize pensou que o quarto seria tão luxuoso quanto os aposentos de Alícia. Mas enganou-se. No quarto havia apenas uma cama, um computador, um rádio, uma estante de livros e um divã.
- O que você faz nesse divã? – inquiriu Tize.
- Já fiz muitas coisas. Mas geralmente uso como cantinho de leitura.
- Você já...nele?
- Mmm. Sim!
- Faz tempo?
- Pode ser agora.
- Safadinho. Melhor na cama. Não quero correr o risco de cair.
- Hehe!
De frente para ela, ele tirou a camisa devagar, fazendo charme. Girou nos calcanhares, ficando de costas para Tize, então desceu a calça. Ele usava uma cueca tipo boxer vermelha com o elástico preto.
Ligou o rádio, colocou um cd bem romântico para tocar e sentou-se na cama ao lado de Tize. Tomou a amada em seus braços e beijou-a repetidas vezes em um átimo. Ele a beijava com lascívia. Foram se beijando e acariciando até que se deixaram afundar no colchão macio. Ele a despiu com carinho e lançou suas roupas no ar.
Os quadris de ambos roçavam um no outro, suas bocas entreabertas exalavam um ar quente. Alípio beijou seu pescoço arrancando gemidos. Desceu por entre seus seios fazendo uma trilha de beijos, acariciando seu corpo que esquentava cada vez mais.
Excitada, Tize sentou sobre seu quadril ao que ele gemeu. Um sorriso matreiro surgiu em seus lábios quando ela começou ir para frente e para trás, em movimentos ritmados. Ambos gemiam. Ela acariciava seu peito sentindo seus músculos rijos.
Cansada e com a garganta seca, ela deitou-se e apoiou a cabeça sobre seu peito. Ele a enlaçou e assim ficaram em silêncio.
Foi a rapidinha mais intensa de Alípio. Aqueles beijos doces e apimentados, leves mordiscadas nos lábios e orelhas, carícias e afagos de mãos que percorriam todo o corpo.
- Você é quente hein, menino!
- Olha quem fala!
- Vamos pra casa? Amanhã quero acordar cedo. Quero chegar em Alegria a tempo para o almoço. – Ela levantou-se e pegou sua roupa no chão e depois se vestiu e ajeitou os cabelos. Alípio fez o mesmo.
Eles desceram para a piscina e se despediram dos anfitriões.

